Eu morro de medo de ter um filho. É eu não imagino ter que expô-lo num mundo desses onde tudo é muito louco, onde tudo é desigual, onde tudo é hipocrisia, onde tudo é tudo que não presta. Eu tinha esperanças de que teríamos ‘salvação’ com as crianças de hoje futuramente, mas eu já vejo as pessoas trabalhando o preconceito em seus filhos, eu vejo as pessoas trabalhando a desigualdade, a hipocrisia, o errado, a falta de respeito, a falta de limites. Eu não vejo as pessoas dizendo que um branco e um negro podem dividir o mesmo espaço, eu não vejo as pessoas dizendo que é normal um casal gay se casando numa igreja e Deus abençoando do mesmo jeito que um casal hetero, eu não vejo as pessoas fazendo coisas certas sem se achar o dono da razão, eu não vejo as pessoas errando e admitindo e se redimindo, eu não vejo mais as pessoas respeitar um idoso, um portador de deficiência física. Eu não vejo nada disso hoje em dia. Mas de quem será a culpa? Agora ninguém é culpado, agora ninguém é preconceituoso, agora ninguém mente, agora ninguém erra, agora ninguém falta com respeito com ninguém, agora são todos ecologica e psicologicamente correto e puros do jeito que Deus colocou no mundo. Ah! Por favor, não é? Eu só queria que cada pessoa preconceituosa, cada pessoa hipócrita, cada pessoa que não respeita e cada pessoa que erra, estivesse no lado oposto da situação, e sentisse na pele o calor da discriminação, e percebesse que tudo isso, é tão ridículo e constrangedor, que soubessem respeitar, que soubessem aceitar, que soubessem acima de tudo que é de um mundo normal que precisamos, e só!
Ingrid Braga

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